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Uso da inteligência artificial para interpretar sintomas e exames cresce, mas especialistas alertam para os limites da tecnologia e para os cuidados com informações de saúde
A inteligência artificial passou a fazer parte da rotina de muitas pessoas, inclusive na busca por informações sobre saúde. Sintomas, resultados de exames e dúvidas médicas são levados a ferramentas como o ChatGPT em busca de explicações rápidas. A facilidade, porém, traz duas questões importantes: até que ponto a IA pode ajudar na compreensão de informações médicas e quais cuidados devem ser tomados com os dados compartilhados?
Para o engenheiro de software Gabriel Barros, que vive nos Estados Unidos e tem experiência profissional no Vale do Silício, a inteligência artificial generativa pode auxiliar na organização e compreensão de informações, mas não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
“As IAs generativas tendem a produzir respostas genéricas e repetitivas ou respostas plausíveis, mas nem sempre corretas”, afirma.
A diferença está na forma como essas tecnologias funcionam. Enquanto o médico avalia o paciente considerando histórico, exame físico, contexto clínico e outros fatores, a IA produz respostas a partir de padrões identificados em grandes volumes de dados.
O risco, segundo Barros, está na forma convincente como essas respostas podem ser apresentadas. “Por utilizar linguagem natural de forma estruturada e fluida, o ChatGPT e as IAs generativas de forma geral transmitem muita confiança em suas respostas. Esse é o perigo para o usuário.”
IA pode errar em informações de saúde
O uso da inteligência artificial na medicina ainda apresenta limitações. Entre os riscos estão vieses, limitações dos modelos e as chamadas “alucinações”, quando a ferramenta apresenta informações incorretas de maneira convincente.
Uma publicação de 2025 disponível na National Academy of Medicine reúne discussões sobre os riscos da IA generativa aplicada à saúde. Outro estudo publicado na revista Nature, também em 2025, analisou 83 pesquisas e identificou limitações na precisão de modelos de inteligência artificial utilizados para diagnóstico.
Para Barros, os dados reforçam a necessidade de cautela. “Quando o tema é saúde, o acompanhamento e diagnóstico médicos continuam sendo indispensáveis.”
E os dados compartilhados?
Além da confiabilidade das respostas, existe outra preocupação: a privacidade das informações de saúde.
Ao conversar com uma ferramenta digital sobre sintomas ou tratamentos, o usuário pode fornecer dados sensíveis, como histórico médico, resultados de exames, medicamentos e diagnósticos. Antes de utilizar qualquer serviço, é importante verificar suas políticas de privacidade e entender como essas informações são armazenadas e utilizadas.
Uma alternativa às conversas dispersas em diferentes aplicativos é utilizar ferramentas específicas para organização de informações médicas. Existem plataformas que permitem reunir exames, consultas, prescrições, medicamentos e outros documentos em um único ambiente.
Entre elas está a MYME, que organiza registros de saúde em uma linha do tempo digital. A ferramenta também permite armazenar documentos e informações inseridas pelo próprio usuário. Nesse tipo de serviço, a segurança dos dados e as regras de compartilhamento são aspectos que devem ser observados pelo usuário antes da utilização.
O objetivo desse tipo de organização é facilitar o acesso do paciente ao próprio histórico, especialmente quando as informações estão distribuídas entre diferentes serviços de saúde, documentos físicos e arquivos digitais.
Organização não substitui o prontuário médico
Ter os próprios documentos organizados pode facilitar o acesso às informações durante uma consulta, mas não substitui o prontuário oficial, a avaliação clínica ou o acompanhamento de profissionais de saúde.
A lógica também é diferente da adotada pelo Meu SUS Digital, do Ministério da Saúde. A plataforma pública reúne informações relacionadas aos atendimentos realizados no Sistema Único de Saúde, enquanto ferramentas de organização pessoal podem concentrar documentos e registros mantidos pelo próprio paciente.
Como proteger as informações de saúde?
Ao utilizar serviços digitais, alguns cuidados são importantes:
- verificar quais dados são coletados;
- consultar a política de privacidade da plataforma;
- entender quem poderá acessar as informações;
- utilizar senhas seguras e autenticação adicional, quando disponível;
- evitar compartilhar dados pessoais desnecessários;
- verificar antes de enviar documentos médicos a qualquer serviço.
A atenção deve ser redobrada porque informações relacionadas à saúde estão entre os dados pessoais que exigem maior cuidado.
IA deve ser ferramenta de apoio
A inteligência artificial pode ajudar a explicar termos médicos, organizar informações e preparar perguntas para uma consulta. O problema surge quando uma resposta automatizada é interpretada como diagnóstico ou orientação individualizada.
Sintomas semelhantes podem ter causas diferentes, e a avaliação médica considera o conjunto de informações de cada paciente.
Por isso, a IA pode auxiliar na informação, mas não substitui o médico. Da mesma forma, ao utilizar ferramentas digitais para armazenar ou compartilhar dados de saúde, é fundamental entender como essas informações serão tratadas.
No ambiente digital, informação e privacidade caminham juntas — e ambas exigem atenção.
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