Peças afetivas

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De mãe para filha para neta

Por Adriana do Amaral

Quem nunca ouviu dizer que moda é cíclica? Pois é isso mesmo. Tudo o que foi moda um dia volta, repaginado – ou ressignificado. Mas é preciso diferenciar moda de modismo.

Uma é tendência, outra é comércio. Algumas peças são exclusivas, únicas; outras são para poucos e muitas para multidões. Há também a moda da rua, espontânea que independe da indústria. Ou seja, moda é assunto sério, também é cultura e não apenas um produto.

A criação de moda envolve pesquisa histórica, mas também de observação comportamental e o estudo dos diferentes materiais e tecnologias. Vale lembrar que nem sempre o que é mostrado durante os desfiles é para ser usado nas ruas, mas a partir das peças exclusivas são criadas novas, que serão comercializadas. O modismo, por outro lado é passageiro, é para ser usado na estação, consumido à exaustão e descartado.

Moda costuma ser associada à marca, mas vai muito além disso. Estar na moda não é apenas consumir roupas de grife, mas conhecer o próprio estilo, corpo e saber adequar as roupas aos diferentes ambientes, do profissional, social ou lazer. E saber diferenciar o clássico, que nunca “cai da moda” ao temporal.

Peças únicas

Algumas roupas, entretanto, extrapolam o conceito da moda: são as chamadas peças afetivas, herdadas. Geralmente algum item resgatado de guarda-roupas antigos, dos nossos familiares, ou que foram usadas por nossos pais ou mães em momentos importantes, guardados na memória e trazidas para as nossas histórias pessoais.

Eu tenho algumas delas, vestidos que foram usados pela minha mãe, nos anos 1960 e 1970 que eu eu usei em ocasiões muito especiais. Um deles, um vestido que remonta à minha primeira idade: tubinho nude, curto, com pedrarias borbadas nas mangas e decote, estilo #JacquelineKennedyOnassis. Um pouco depois me encantei por dois vestidos longos, usados por minha mãe quando ela frequentava bailes: um com fundo preto e multicolorido em tecido levemente brilhante, corte simples colado ao corpo, e outro cor de vinho, que tinha plumas no decote .Nesse caso, eu customizei a peça, tirando o enfeito e invertendo as costas e a frente.

Roupas usados nas formaturas dos meus filhos e que garantiram a exclusividade, além de otimizar os recursos, pois roupa de festa custa caro, não é mesmo? Ah, também tenho a peça usado nas bodas de prata dos meus pais, ainda esperando uma ocasião especial para ser vestido.

De qualquer maneira, seja uma camisa branca do seu pai, um colete do seu avô, uma bolsa, uma camisola, ou até mesmo uma roupa infantil, vale a pena guardar alguns itens. Assim, você pode criar a sua própria moda.

Minha mãe e eu e o vestido dos anos 1970 (foto: arquivo pessoal)

Dicas:

Peças antigas precisam ser higienizadas;

Pequenos ajustes valorização a roupa;

Personalidade é o que conta na hora de resgatar um item antigo;

A customização pode atualizar uma roupa de época;

Seja seletiva: nem tudo o que é velho vale ser guardado.

#moda #modismo #vintage #custumização

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